
Um chefe de cozinha obcecado por uma avaliação positiva de seu restaurante. Uma mâitre frustrada com os homens. O chefe e a mâitre se apaixonam pelo mesmo homem, um ex-jogador de futebol. Ou seja, um enredo típico de um filme espanhol. Cores fortes, ambientes descontraídos e humor sexual. Nisso, não se inova em absolutamente nada – aliás, poderia ser perfeitamente creditado a Pedro Almodóvar. Como comédia, a diversão depende inteiramente do estado de espírito do espectador – alguns dirão que qualquer comédia é assim, do que eu discordo. Reconheço que, embora não tenha rido como a mulher que sentou à minha frente durante a sessão, as jogadas humorísticas eram boas, embora previsíveis, em alguns casos. O protagonista Maxi (Javier Cámara) tem uma atuação excelente, indo dos risos as lágrimas de uma forma impressionante. De resto, menciona-se a eficiente Lola Dueñas, como sua fiel escudeira. O restante do elenco tem participação fosca, borrada – com destaque para o esquisito Ramiro (Fernando Tejero). Um ponto que não se pode deixar de mencionar é a questão do relacionamento homossexual, que no filme tem papel fulcral. Essa questão aparece como uma não aceitação de diversos segmentos sociais, desde a família do protagonista até o âmbito do futebol. A saída proposta é a mais otimista possível. À Moda da Casa, no geral, é elegante (algo raro para uma comédia). Assim, pode ser visto como um bom filme, que trata de questões sérias para a sociedade atualmente, mas que não serve de base para uma reflexão mais aprofundada. No entanto, uma falha é a falta de caminhos que o filme apresenta. O único personagem que apresenta essa possível dúvida é o jogador de futebol aposentado, namorado de Maxi. Porém, a atuação fraca do ator não deixou que essa dúvida fosse impressa realmente no personagem.





